“O” Covid e “a” Covid – ou como falar português

Admito não consigo dizer “a” Covid. O meu ser não encaixa, não deixa. Porquê? Eu sei que forma correta é “a”, mas digo “o”. Descobri que é propositado – pode ser o meu lado nortenho a falar mais alto -, mas dizer “a” Covid, como doença que é,  é demasiado higiénico, limpo até. É demasiado cirúrgico para algo que nos revolta, que nos consome o tempo, a alma, a economia, a proximidade, o toque e os abraços daqueles que nos são próximos.

Para mim, ao contrário do arrepiante e repugnante “chegaste(s)” com esse “s” a mais, ou de um “troca-mos”, em vez de um trocamos, é perdoável, é desculpável, mais do que isso é compreensível dizer “o” Covid. Até podia referia confusão do “novo” Corona (que para mim é coroa e marca de cerveja, logo seria “a”), mas não, nada disso.

Já chega de meandros e subterfúgios, dizer “o” Covid é uma manifestação protesto, é uma libertação, é uma revolta, uma insurreição – vem do âmago, é como soltar um f…., com alma e vontade. Dizer “o” Covid tem um certo desdém, desprezo, uma bruta emoção que nos apela ao instinto de sobrevivência e dizer-lhe “que podes vir, que eu vou lutar com todas as minhas forças”. 

Ao mesmo tempo, que “a” Covid é admitir algo mais silencioso, mortífero, cirúrgico, venenoso que eu sei que vai chegar e, relativamente à qual tremo de medo em silêncio.

 Dizer “o “ Covid é dizer logo ,antes de qualquer outra coisa, “oh pá, pira-te, vai-te embora, não te quero aqui”.

“O” Covid é um adamastor, um monstro ancestral, tem uma personalidade, mais do que um arquétipo tem algo de humano e, como algo de humano, é destrutível, falível e “tem de se avir comigo”, tem falhas, logo vou tratá-lo como ele merece.

Para mim, a comunicação é muito isto também, encontrar formas de dizermos o que nos vai na alma, mesmo que às vezes tenhamos incorrer num português menos delicado, menos perfumado, mas que tem essa extrema capacidade de atribuir sentido, emoção e expressividade com uma simples troca de um artigo.

Ensaio sobre a incoerência: a comunicação, o governo e a emergência

Confuso. Sem saber o que pensar. Sinto-me meio despido da minha liberdade, sinto-me meio apreensivo com a liberdade do outro, mas acima de tudo sinto-me perdido, enganado, indignado, resignado pela “sopa de pedra” que nos é servida em regime diário. A falta de claridade, clarividência, lógica e objetivo das medidas do nosso Governo, mas também na sua manifesta incapacidade (propositada ou não) para comunicar, mais do que me revoltar, assusta-me.

O que eu ensino não se pratica, ou pratica-se muito mal pela instituição que é suposto zelar por todos nós. Como se comunicar medidas fosse uma longa temporada de “sketch” de “Onde está o Wally?”, (entenda-se o Wally como a metáfora para a medida e para a sua excepção).

Os sábados à noite agora são diferentes. Muito diferentes. É ao sábado, bem à noitinha que nos perturbam as novidades das novas medidas restritivas que temos de enfrentar para a pandemia. O almoço de domingo é agora um pró-forma, um espécie de protetor gástrico para enfrentar a semana. Vou comer, beber até me fartar, para me tornar sonâmbulo para a angústia do dia seguinte.

Admito que nem sempre sou a pessoa mais coerente do mundo, já comprei quando devia poupar, já falei quando devia calar, já anuí quando devia reivindicar. Mas, quando estamos a gerir organizações e instituições, devemos ter uma visão, um foco, uma meta, um objetivo que nos faça todos remar para o mesmo lado, que nos faça acreditar no dia seguinte. Mas, não. Há anos que não temos um Governo com uma visão para o país, uma estratégia que nos seja dita e comunicada de forma clara. Navegamos de orçamento em orçamento, de discussão em discussão, de tema em tema, até que uma pandemia deixa tudo a descoberto, a nu.

Não há visão, não há metas, há apenas uma “agenda” (que nós desconhecemos) e o salve-se quem puder do dia a dia.

Mas, voltemos a Março. Lembrem-se “não usem máscaras”, até porque não as sabem usar. É perigoso. Eu usei, praticamente desde o dia um. Se não havia máscaras para todos, então isto devia ter sido dito. Talvez, nos juntássemos, talvez estivéssemos unidos num desígnio comum. 

No meio da distração das eleições americanas que segui atentamente, todos falaram da “verdade”, do regresso da mesma. Então e aqui? Ela vale menos?

Não faz mal, porque continuámos a ter a Graça e a Marta (com o devido respeito, mas são os seus nomes) a meter os pés pelas mãos em direto. Depressa nos apressamos a tornar o nosso país COVID-SAFE, a estimular o sonho da noite de verão – afinal a curva já estava a achatar. Assisti, em vários locais ao desleixo, às filas, ao desapego de quem vive e nada se passa.

Então e a segunda vaga? Não ia haver uma segunda vaga?

Mas, voltando à comunicação? Eu insisto com os meus alunos, que o sucesso em comunicação é a soma das pequenas coisas que conseguimos alcançar todos os dias. Ela deve ser contínua, clara, coerente…E cada ação, cada medida deve ter uma meta, um objetivo.

Então vamos fazer uma pequena viagem:

1. Porque motivo alguém achou que manter as feiras encerradas era pior que manter os centros comerciais abertos (rapidamente recuaram lembram-se?).

2. Qual a diferença de um restaurante fechar às 22h30 ou às 23h00? Qual a diferença de um centro comercial fechar às 22h00 ou às 23h00? (está lá mais gente? Se o horário for mais disperso não há menos concentração de pessoas)?

3. Não podemos ter celebrações com mais de 5 pessoas, Mas, podemos jantar com 6…

4. As aulas do ensino superior devem manter-se presenciais, mesmo que não haja as condições de ventilação adequadas, ou salas suficientes para garantir a segurança num campus universitário. Além do mais, os alunos almoçam juntos, lancham juntos…e muitas vezes juntam-se em amena conversa, enquanto fumam o seu cigarro.

5. Nos próximos dois fins-de-semana, só podemos andar na rua até às 13h00. Certo. É para quê? Digam. Evitar os almoços em família?

6. E o setor da restauração? Os proprietários de bares e discotecas vão viver de quê? Que soluções são essas?

7. Vamos ter professores de horário zero a fazer rastreios? Porque motivo eles estão em horário zero? Já pensaram nisso?

8. E a medição de temperatura? Humm…Vou tomar um paracetamol e já volto.

9. O trabalhador pode exigir o teletrabalho, e as empresas que ameaçam se o trabalhador assim o fizer? Acham que há ambiente, se isto acontecer?

10. Só faltou a #hashtag – “vamos salvar o Natal”. Não é o Natal que precisa de ser salvo, somos nós todos. Eu prefiro viver, manter a sanidade mental e guardar o peru e o bacalhau para o Dia de Reis…ou para a Páscoa (e celebramos a verdadeira ressurreição).

12. Há 121 concelhos com restrições. E será que não há cidades e concelhos onde testam menos, para que isto não aconteça…? Quando não há clareza e consistência, o rumor aparece.

As medidas têm de ser anunciadas, mas justificadas na mesma medida, na mesma forma clara e concreta, anunciando o que se espera conseguir com essa mesma medida (lá se vão os objetivos SMART). Mas, isto nunca é feito. Nem que números se espera obter ou conter. Exemplo: grande parte do contágio é feito por contacto familiar. Claro, mas convinha especificar o contexto. Como podemos evitar isto? Medida? Resultado?

Depois, é deixado para a Comunicação Social o dever de nos explicar as medidas, de fazer questões, quando a informação da DGS do Governo é implícita, dúbia, pouco clara. Não há ações, campanhas de sensibilização a sério, com impacto, que fale a “linguagem das pessoas”.

Façam diagnósticos, assumam o que há para melhorar e façam-no. Mas, falem connosco, não nos atirem areia para os olhos, pois assim não há confiança, não há crédito, não há reputação.

A comunicação e a informação devem caminhar de braço dado com a verdade, com a clareza e com o propósito e, infelizmente, isto não acontece.

Se me perguntarem se concordo com as recentes medidas? Não sei. Como posso concordar com algo que me foi mal explicado?

O Portugal da Fórmula 1 e os outros…

Domingo. A hora muda. A pandemia continua e a clara noção de que o país não muda. Estamos enganados quando dizemos que Portugal é um país pequeno. Não é. Portugal tem esse dom de se multiplicar em vários países, democracias, estados de exceção e regras diferentes entre regiões, para diversas vontades, interesses, culturas e desportos. É como se o sinal vermelho do semáforo, para outro fosse verde, para outros amarelo e para outros nem sequer existisse. Já dizia a expressão “a Maria vai com as outras…

Estou, claro, a falar da nova polémica da Fórmula 1 e da permissão de estarem no recinto mais de 27 mil pessoas. Assim, sim assim à primeira vista consigo imaginar as pessoas dispersas por um longo percurso, ao ar livre.

Reparem, estamos a falar de pessoas dispostas a comprar um bilhete que varia entre os 85 e os 650 euros e isso atesta a sua educação, os seus princípios e cumprir da autoridade (ler com ironia se faz favor) . Na prática, só se fôssemos robots é que seria fácil de controlar a turba.

O juízo de valor é meu, mas não é isto que fazemos quando traçamos perfis? Como se quem compra um Ferrari ou uma Limousine não infrige regras do trânsito? Pois é. Em Fátima, depois do polémico setembro, o peregrino que vai pé, em alguns casos ficou à porta.

Facilmente anuímos que nos estádios de futebol ter muita gente é um problema. Os adeptos (não vou usar outra palavra) não se sabem controlar, porque o futebol é um desporto de emoções, de gritos, de contacto e de animosidades à entrada e à saída. Concordo.

Garanto-vos que se fosse ao futebol, estaria muito bem sentado à distância e a festejar para mim, mas sei que cada pessoa é uma pessoa.

Aquilo com o qual não posso concordar, da mesma forma como não concordo com a realização da Festa do Avante (mesmo que assumidamente tenha corrido bem), é com o facto de acharmos que aceitar realizar um evento da dimensão da Fórmula 1, da Liga dos Campeões, do jogo da Seleção, não é enviar uma mensagem a todos os portugueses. Claro que é.

Realizar eventos é comunicar. É afirmar algo, especialmente, eventos públicos e altamente mediatizados. É enviar sinais aos mercados, à opinião pública, às pessoas. Na próxima semana, os portugueses não podem sair do concelho e devem evitar a habitual visita ao cemitério, como se fosse muito diferente ficar na fila para entrar num autódromo, onde me vou sentar por algumas horas.

Eu preferia que me dissessem que a Fórmula 1, no Algarve, se insere num programa qualquer de investimento na região, de uma iniciativa estratégica de captar fundos, ou outra coisa qualquer.

Mas, se se vai realizar o evento, a organização só ao terceiro dia é que percebeu que algumas pessoas não cumprem as regras, não usam máscaras e não ficam no seu lugar? Não esperavam que se tirassem fotografias? Que se criticasse? Ou simplesmente, esfregam as mãos e pensam: “o dinheiro já cá canta, o resto resolve-se…isto não é o Avante, para precisarmos de tanto cuidado. Mais infetado menos infetado, não fará muita diferença”

Pensem comigo: quantas vezes encontraram alguém sentado no vosso lugar no comboio? No vosso lugar no cinema, no vosso lugar no estádio? E na F1 vai ser diferente? Não vai. Da mesma maneira que há pessoas que se revoltam, quando manifestamos o desagrado por continuarem a fumar em estádios. Na F1 vai ser diferente? Não. E hoje já se expulsaram pessoas. Hoje. Não ontem. Pessoalmente, acho que devia haver multas pesadas para quem não cumpre.

É por isso que encontro vários países num só, uma mescla de comportamentos que uns têm de ter e outros não. Eu nem sempre concordo com Rui Moreira, ele terá a sua opinião e a sua agenda, mas é fundamental que alguém, que se insurja, porque de facto às parece que temos o Portugal do Algarve, o Portugal do Web Summit, o Portugal do Futebol, o Portugal da Saúde e, claro, o Portugal do Novo Banco.

Relembro, por exemplo, que o Bruno Nogueira teve que adiar o seu espetáculo são joanino, no Porto, por despacho camarário (o que eu discordo), tal como houve polémica no Porto-Boavista em data similar. Sabem que no Norte nós…

Escrevo este texto, por dois motivos:

Um para dizer que a uma comunicação assertiva, eficaz, que envolva as pessoas num desígnio, deveria ser contínua, coerente e congruente. E a deste governo não é. Soa, parece e manifesta-se como um conjunto de estratagemas, para levar para frente uma agenda de alguém, que ninguém sabe quem é.  

Dois, porque tal como a situação das máscaras que davam uma falsa ilusão de segurança em abril e que agora são o nosso remédio santo. Sinto, que isto é fazer de nós parvos. Não encontro outra palavra.

Ou então, tragam-me a cultura, o futebol, o concertos, os festivais, os restaurantes, o álcool nos supermercados depois das 20h00, os bares até às duas que eu prometo que me saberei comportar.

A homenagem ao atleta desconhecido (ou o português que liderou o “Giro”)

Desporto para mim é uma paixão. Talvez tente compensar uma certa frustração por nunca ter verdadeiramente ter tentado (ou tido a coragem) ser um atleta de alta competição, pela forma intensa, curiosa e atenta como vibro com o sucesso dos grandes atletas e equipas. Sou capaz de passar uma tarde a ver futebol, ou horas de um grande jogo de ténis, mas ver e acompanhar ciclismo acontece quando há um feito, uma estória, uma lenda, uma superação. E quando dou por mim a ver o “Giro”, a seguir ao minuto o que está acontecer, é porque se está a fazer história.

No ano mais insólito das nossas vidas, nós portugueses (posso falar pela maioria, não posso?) sentimos uma vontade súbita de vestir de cor de rosa e vibrar com os feitos dos desconhecidos João Almeida (“o comboio de Pegões” – esta alcunha é fabulosa…) e Ruben Guerreiro. Da mesma forma como o fizemos com o Fernando Pimenta,  a Rosa Mota, a Fernanda Ribeiro, o Carlos Lopes, o Nelson Évora, o João Sousa, a Telma Monteiro ou a Seleção Nacional de futebol.

“Um português dias a fio à frente do “Giro”? Mas como?”

Ontem, da distância do meu telemóvel, acompanhei ao minuto a subida ao Stelvio (que até ontem era apenas um nome do modelo da Alfa Romeo – desculpem a ignorância). Assim, para terem uma ideia, é como ir do Porto da Braga, sempre a subir…assim, sem descidas. Sem mais. E à boa notícia do Ruben garantir a camisola azul da montanha, ficou claro que o João Almeida não tinha forças, nem uma equipa que o acompanhasse face a tal Adamastor. Acontece ao melhores, mas não tira um milímetro ao que o jovem ciclista conseguiu até aqui – fazer-nos sonhar.

Hoje, o João é quinto e o mais jovem a ter a camisola rosa durante tantos dias. O Ruben vencerá a camisola da montanha (que feito!). Admiro estes atletas, admiro estes seres humanos que escolhem provavelmente o mais difícil e desumano dos desportos. Não consigo dimensionar a coragem, a perseverança, a determinação que é precisa para enfrentar o sofrimento constante, o inferno das subidas e as vertiginosas descidas.

Sei que me inspira, sei que admiro e sei que estas pessoas têm estórias que merecem ser vistas contadas, valorizadas, apreciadas. E porquê? Porque nos tornam parte, porque nos fazem acreditar nos pequenos “milagres”, no trabalho árduo, na determinação em seguirmos o nosso caminho.

Storytelling é isto.

Obrigado João Almeida e obrigado Ruben e obrigado aos atletas desconhecidos levam Portugal mais longe. Continuem a escrever a vossa história, pois com o vosso exemplo, mostram que podem ajudar a definir novas linhas e novas metas para nós e para Portugal.

Uma nota final:

Nós portugueses não temos uma verdadeira cultura de desporto (de clubite talvez) , não valorizamos o desporto como poderíamos, acredito que não lhe damos a importância devida, e até na academia sinto por vezes uma certo desprezo pela investigação sobre o tema. Como se fosse algo menor. Como pode algo menor despertar tanto interesse, tanta paixão e unir pessoas por um desígnio e ter ao mesmo tempo ter uma imagem tão pobre? Talvez Bourdieu tenha razão.

“falar de desporto é difícil, porque num sentido é muito fácil: todas as pessoas têm as suas ideias sobre o assunto e sentem que conseguem dizer algo inteligente sobre isso” (Bourdieu, 1998, p.15)

Negar o potencial do desporto para nos contar histórias sobre liderar, comunicar, perseverar, gerir equipas, continuar e superar, é fechar os olhos a uma atividade que alia a emoção, a paixão à capacidade de nos ensinar grandes lições.

Imagem: Federação Portuguesa de Futebol – http://www.fpf.pt

O homem sonha e a obra até nasce…

Qual a tua visão ? Pode uma simples pergunta ser assim tão importante? Acredito que muitos de nós procuramos um propósito naquilo que fazemos ou naquilo que sonhamos fazer. Então, porque parece tão difícil estabelecer uma orientação, um caminho que permita de forma clarividente permitir ter a confiança, a competência para alcançar a almejada meta? Diria que ela se vai manifestando ao longo do caminho, se a ele estivermos atentos, se ao “caminho” ousarmos ouvir e falar com ele.

O homem sonha, a obra até nasce, mas não imediatamente.

A obra nasce fruto de trabalho de inspiração, de expiração de muita desorientação, de muita descoberta e também, felizmente, de muito prazer. Recuso acreditar que o sucesso só pode manifestar-se através de trabalho árduo, daquele que para além de fazer doer as mãos, faz doer a alma e faz sofrer a mente. A este nível, talvez seja das pessoas que acredita na felicidade, na satisfação pelo processos, que são as nossas paixões, aquilo que nos faz sentir motivados, inspirados, apaixonados e agarrados à vida que nos dá o ímpeto para seguir em frente, face à dificuldade, ao mesmo tempo que somos capazes de o fazer de sorriso no rosto.

Hoje, tenho uma noção mais clara que vive em mim a vontade, a visão de tornar a comunicação mais humana, à qual damos mais atenção porque é ingrediente fundamental para uma vida pessoal e profissional melhor, mais viva, mais inteligente, mais sagaz e mais feliz.

Esse desígnio ou propósito dá sentido às coisas que faço, dá-lhe uma prioridade, uma direção. Afinal o mindset, dá confiança e faz-me ver melhor a enorme montanha que tenho a minha frente, mesmo que saiba que provavelmente é em mim (como em todas as outras pessoas) que residem os maiores obstáculos e distrações.

“Somos todos humanos” (esta frase é tão boa que desculpa quase tudo).

Tudo isto para vos dizer o quê? Foi através de experiências que cheguei aqui. A minha viagem pelo mundo, clubes e competições de public speaking ensinou-me muito, sobre comunicação, mas em particular sobre mim. No início sentia (e ainda sinto) sempre que crio ou improviso a chama da comunicação, a paixão e o gosto que me dá. 

Sinto também de forma muito única o prazer de agradar a plateia (demorei mais de trinta anos a deixar de ter vergonha de sentir isto). Gosto de sentir a audiência de olhos abertos, atenta, regalada. Seja num discurso, numa formação, numa aula. Gosto desta interação. Sem vergonha, sem medos. Porém, em algumas performances que para mim eram profundamente extasiantes, entusiasmantes, comecei a perceber que para algumas pessoas eu seria uma “espécie de alien” entusiasmado, vivo, mas talvez um pouco enérgico ou bruto até.

Esta pouca empatia criada talvez junto de algumas pessoas mais sensíveis, mais ansiosas face à prática de comunicar em público, despertou-me o interesse. Porquê? Assim, perguntei a mim mesmo, porque é que algumas pessoas sentiam quase um certo “medo” de falar comigo ou de dar-me algum feedback. Sim, acontecia e vai quase sempre acontecer.

“Lembrem-se que não somos pizza para agradar a toda a gente”

O motivo parece-me até muito simples. Em primeiro lugar, eu fazia discursos, treinava e praticava por mim, pelo minha vontade de aprender, pelo meu prazer, pelo meu Ego que queria muito mostrar o tanto que estava a evoluir. A eterna procura por um reconhecimento. Algo não estava afinado, polido.

Nesse percurso pelos clubes de Toastmasters onde se aprende muito, em especial com as pessoas que se encontram, são muito valorizados aspetos relevantes de um discurso como a sua organização, a variedade vocal, a linguagem corporal e a forma como exploramos o espaço à nossa disposição. Qualquer pessoa, independentemente do nível evolui muito em 3, 6 meses…(Eu andei por lá 6 anos, e bem. Quando a pandemia passar logo vejo…) .

Um dia, pediram-me para participar num evento, e partilhar a minha experiência em competições internacionais de public speaking. Em vez de me preocupar com a linguagem corporal, a variedade vocal…apenas pedi uma cadeira!?

Em palco para talvez 60 ou 70 pessoas, falei para as pessoas sentado, como se estivesse à mesa a partilhar uma conversa e um copo de vinho. Falei da fragilidade, falei de que ainda hoje fico nervoso e ansioso, que tenho inseguranças e que dia a dia as enfrento, sublinhei que sou humano e que foi o treino, a vontade, a paixão e a procura por um desígnio que me levaram até ali. Foi simples, foi humano, foi tão fácil e tão bom. Foi eterno.

Nesse dia, aquelas pessoas que em outras circunstância se afastariam de mim, falaram comigo e partilharam, falaram da sua ansiedade, do nervosismo e da imensa vontade de melhorar.

Ali, naquele momento, sinto que acrescentei uma das mais importantes peças do caminho – é essa a comunicação que quero, aquela que me aproxima de outros seres humanos.

A minha visão, tal como a vossa, constrói-se diariamente e felizmente, por obra do acaso também podemos alterar o rumo e mudar de ideias. Olhem o horizonte, definam para onde vão, tenham uma direção, assumam a vossa vontade e tenham prazer pelo caminho. Com uma visão, a comunicação nunca será um senão.

O professor que virou podcaster

Ia começar por dizer que chegou a casa, mas não chegou a casa. Ele já estava em casa. Faltavam dez minutos para começar a aula, ligou a máquina de café, olhou pela janela e respirou fundo…São mais 3 horas. Preparou o copo de água, foi ao computador, ligou o Teams ou Zoom (nesta altura já tanto faz…achou ele) e escreveu “Boa tarde…a aula segue dentro de momentos”. (Ainda tenho uns minutos. Tirou o café, saboreou o travo amargo do café sem açúcar, sentiu aquele “kick” de ânimo a subir)

Lights ON. Ligou as luzes, o micro (a vaidade faz algumas pessoas investir um bocadinho na tecnologia e num bom set). Só falta mesmo a estante com os livros atrás. Pegou na câmara HD, porque a do portátil é do século passado e disse “boa tarde”. Sorrindo para a luzinha azul a piscar.

Aguardou, os alunos foram entrando na pseudo sala. E ele diz “vá lá, agora liguem as câmaras”. Silêncio. Como sabem numa sessão online é de bom tom ter o micro no off, para não haver ruídos, feedback…entre outros episódios. “está alguém desse lado?”. “Sim” – ouve-se, diz uma alma do outro lado do ciberespaço.

A sensação de vazio apodera-se (será que vou ter suplicar novamente, de novo…). “Então, não ligam as câmaras porquê”? – “o meu computador é de secretária e não tem webcam”. – “E o smartphone não tem a app”?) Segue-se o ensurdecedor silêncio.

Depois, um manifestar passivo de insatisfação que não adianta nada. No seu interior, surge como um invasor a ideia muito clara que do outro lado está alguém a pensar “podes protestar à vontade, mas não me podes obrigar. Vou continuar a jogar PS4”. Resignação. 20 pessoas na sala, estava a ver duas. “Podia ser pior, pensou…”

Passado um pouco, “João está aí? João? (silêncio)… Passado um instante, “professor, desculpe…estava na cama e adormeci”.  (Na sua mente, uma facada, eram estacas, um punhal pelas costas….).

A partir daí vagueou como um zombie pela matéria do dia, como podcaster sem audiência e a pensar como se poderia transformar num Nuno Markl ou Pedro Ribeiro das emissões radiofónicas na qual se tinham transformado as suas aulas.

“Quinta-feira vai ser diferente pensou”.

O dia chegou, finalmente entrava pelos corredores vazios da instituição em que lecionava, era a primeira aula presencial em 6 meses. Na sala entraram duas pessoas, as mesmas pessoas que tinha visto na câmara. Ligou a plataforma (sim, havia a permissão para ficarem em casa). Lá estavam, os outros. “Mas, vão assistir digitalmente? – perguntou”. – “Sim, ó professor, dá muito trabalho ir até aí, fica longe…” Então e as câmaras?!”

Silêncio.

PS: Os professores são seres humanos.

Ao Chega diremos Basta!

Não. O Chega não vai ser o maior partido português em 2027, nem em 2049, nem o André Ventura é Nostradamus, nem eu vou ganhar uma Bola de Ouro. Não. Ponto. Não neste mundo e não no nosso Portugal. Antes que uma mentira, ou um devaneio, seja repetido demasiadas vezes, é importante por os pés no chão e não distorcer a realidade.

Já vi pelas redes sociais, medo, revolta, receio e indignação com resultado do Chega. Eu assumo, mais do que indignado estou triste, porque no séc. XXI nós já devíamos saber mais. Mas, não estou assustado. Não, com André Ventura. Assusta-me mais a onda que se cria e “hype” (ou exagero) que traz notoriedade dá mais voz a estes movimentos.

Será o Chega extrema direita ou será mais uma direita “oportunista”? Um fogo de luzes orientado para dizer o que mais interessa a cada momento? Será que vamos transformar o país num relvado e quatro linhas, em que André Ventura será chamado a intervir e dar opinião? Não acredito. A política é bem mais complexa do que um jogo ao fim-de-semana…

Mensagem simples e direta visível nos suportes de comunicação do Chega

Já vi pessoas a profetizarem que agora vai ser sempre a crescer – eu não acredito, pois não vejo em André Ventura um líder, alguém capaz de inspirar multidões, alguém preparado para disseminar o ódio pelo ódio em detrimento do proveito próprio. Felizmente. Vejo sim alguém que tirou partido da conjuntura polémica que resulta dos diversos casos que pululam na comunicação social – o nepotismo entre a “família” socialista, o inusitado caso de Tancos, o caso Marquês, a corrupção, o sentimento de insegurança – para aproveitar o seu espaço mediático para se afirmar (qual justiceiro de “pulseira” e espada) e dizer o que um certo “povo” quer ouvir: “chega”, “basta”… E é tão fácil dizer isto, quando se sabe que não se vai governar, quando se sabe que se estará do lado de fora. E para tantas pessoas é tão fácil ir na onda quando se está cansado de lutar… É tão fácil cavalgar essa ideia quando a culpa é sempre dos outros, quando se esquece que juntos podemos ser um pouco mais fortes.

Voltem atrás no tempo, façam esse exercício. Marinho e Pinto e o seu PDR  bateram à porta da injustiça e da corrupção e conseguiram um deputado europeu, em 2014.

O “justiceiro” é um arquétipo que todo nós sabemos identificar e esse espaço estava “vazio” desde que Marinho e Pinto provou do seu próprio veneno. Teria o PDR este resultado se Marinho e Pinto ainda tivesse lugar cativo nos programas da manhã? Em 2015, o PDR teve 60.988 votos, agora teve 9 mil. O Chega chegou aos 66 mil votos. Desejo-lhe o mesmo fim. 

Interessa-me perguntar “como chegamos aqui?”…Como quis deixar claro, o populismo não é novo. Aliás, se Hernâni Carvalho criasse um partido, provavelmente conseguiria um lugar – a mensagem é simples, clara e funciona.  

Para mim, é da responsabilidade do anterior Governo, ora por incompetência, desleixo e/ou irresponsabilidade, ter dado argumentos para que este tipo de discurso encontrasse mais espaço. É da responsabilidade deste e anteriores Governos não sermos capazes de enunciar uma estratégia para o país, preferindo negociar ano a ano, orçamento a orçamento, de medida a medida ou de gerigonça em geringonça.

Mas, também da responsabilidade dos partidos de direita, como o CDS, não terem uma comunicação coerente, precisa capaz de encontrar um lugar na mente e no coração das pessoas. Não posso deixar de recordar que Assunção Cristas teve um resultado nas Autárquicas de Lisboa que a fez acreditar que poderia chegar ao poder, ao mesmo tempo que camuflou o verdadeiro estado do partido a nível nacional. Ontem, foi para casa às nove da noite.

É da responsabilidade de Rui Rio ter sido arrogante e pouco competente durante 2 anos de deserto, numa oposição estéril. É da responsabilidade do PSD ter andado mais preocupado com as lutas internas do que com o futuro do país. E foi de lá que saiu André Ventura, foi no PSD, no tempo de Passos Coelho, que o colocaram à frente de uma lista para a Câmara Municipal de Loures. Ele fez o seu caminho e aproveitou e, segundo o que que diz a Visão também aproveitou para plagiar o programa de Manuel Monteiro. Palavras para quê? Se este fosse um movimento ideologicamente forte, teria mais espaço e mais orgulho nas suas próprias ideias. Para mim a sua agenda é outra e é bem mais pessoal. 

O passar do tempo, ao longo dos próximos 4 anos, trará novidades:  acredito que o Livre (que grande coragem) e a Iniciativa Liberal (que grande campanha, à qual só faltou um rosto) têm pernas para andar e seguirem o exemplo do PAN – crescerem e ganharem o seu espaço. Quanto ao Chega a seu tempo diremos Basta, pois o tempo mostrará o que este movimento tem para dar: absolutamente nada. 

A figura de parvo e a privacidade

Vamos ser sinceros, há momentos que fazem de nós parvos e isso acontece ora por inocência, ora por desleixo ou simplesmente porque naquele momento, por algum motivo, não queremos saber. É um risco. Agora, o problema (emocional, é claro..porque ele já lá estava) começa quando conscientemente sentimos que estão a fazer de nós parvos… Tudo começou quando decidi aceder ao Maisfutebol para saber o resultado do Brondby – SC Braga. O que é que isto tem a ver com privacidade? Já vão perceber…

Entretanto, atirem um número: quantos sites podem estar a monitorizar a vossa presença online num site como o maisfutebol.iol.pt ?

Primeiro vamos ao contexto: talvez tenha sido por recentemente ter visto o documentário “The Great Hack”, a verdade é que ando mais criterioso com o clicar no botão de aceitar tudo, no que respeita a “cookies” que os sites disponibilizam para “poupar o nosso tempo”. Diria que em muitos sites o processo é simples, em 4 ou 5 cliques a coisa fica resolvida. Como é o caso do periódico espanhol http://www.marca.com .

Como podem ver em baixo o processo é simples, se eu quiser discordar é fácil. Na verdade, as empresas estão a fazer o seu papel e quanto a isso nada contra. Estou a navegar e estou ciente de que podem estar a capturar os meus dados se eu assim o permitir.

O que me tirou do sério, foi eu ter cometido o “erro” de querer fazer a triagem no http://www.maisfutebol.iol.pt que decidi ver o resultado do Brondby-SC Braga. (na verdade nem cheguei lá…)

Em primeiro lugar há um botão para aceitar tudo. Perfeito. É o que eles querem. Então e o botão para rejeitar, anular tudo? Onde está? Caramba, onde está? (e é aqui que a minha mente começa a praguejar e a dizer palavrões) Pois, não há. E aí é que sinto que me estão a fazer passar por parvo. É aquilo a que podemos chamar de vencer o cliente pelo cansaço.

Dizem que “damos valor à sua privacidade”. Ai não não dão, senão não me faziam dar mais de 500 cliques (não é exagero…perdi a conta a partir dos 400 e tal), para conseguir anular cookies que dão acesso à minha localização geográfica, acesso a informações, correspondência offline de dados…enfim, seja lá o que é que algumas daquelas coisas significam. O panorama que encontrei é o que podem ver em baixo…páginas e páginas de infinitas empresas que monitorizam os nossos dados. O número de 500 referências assusta? Um bocadinho.

Uma lista infinita…
e lá fui eu de A a Z

Quanto ao maisfutebol e a quem gere este grupo, pelo menos uma coisa é certa: valorizam os meus dados, até porque não fica a dúvida de que aproveitam para os vender, infelizmente aquilo pelo qual não têm respeito, é pelo tempo do utilizador, nem pelo lado “democrático” de ter uma experiência séria no que concerne à opção de decisão na proteção dos seus dados.

E sim, dei-me ao trabalho de rejeitar tudo, porque se há algo que me revolve o estômago é a de conscientemente fazer figura de parvo.

Escrevo este post para sensibilizar e porque para mim a forma como se comunica diz muito sobre o emissor da mensagem e sobre a sua postura, valores e princípios. Neste caso bastava apenas mais um opção.

Ah, e o Braga ganhou 4-2.

A segunda-feira, a comunicação e o circo romano

Segunda-feira. Para muitos de nós esta é a palavra que marca o início da nossa jornada semanal (é seguramente a par da sexta-feira, por diferentes motivos, o dia da semana que merece mais posts nas redes sociais). Acabou o fim-de-semana e rapidamente enfrentamos o turbilhão emocional que resulta de todas as coisas que temos que fazer e por fazer. Por vezes, ainda é domingo e já estamos com um pé no início da semana. Em alguns casos, iniciamos com o forte entusiasmo, em outros começamos com uma imensa e intensa lista de to do’s que um mês inteiro parece impossível de englobar tudo aquilo que nos propomos a fazer.

Perante o inevitável e depois de um bom café (digo eu), temos duas formas de olhar para a semana, ou a agarramos como quem quer superar mais um desafio, ou nos deixamos levar pela dimensão da montanha e avançamos como quem carrega o mundo nas suas costas, sem conseguir vislumbrar o horizonte. Enfim, qualquer leitura de índole inspiracional (ao som dos dez mandamentos para o sucesso) falará da importância de manter o foco “no prémio”, outras páginas apontarão para o facto de cada tarefa realizada ter o potencial de abrir novas portas e de que quando nos entregamos apaixonadamente ao que fazemos o “universo conspira” a nosso favor e tudo flui. Bem, nem quero sequer pensar no ponto de vista da psicologia sobre o assunto.

Hoje a segunda-feira é a minha metáfora para falar de comunicação. Enfrentar uma nova audiência, apresentar um novo projeto, ir a uma entrevista de emprego, fazer um pitch investimento, estar finalmente a fazer a tão almejada TED Talk, fazem de nós uma espécie de gladiador em dia de circo romano.

Os leões vão estar lá e o público estará pronto para gritar “we will rock you” (tal como em qualquer segunda-feira).

 Paralisar não é solução, ter uma “branca” também não, mas o medo está lá…e quando olhamos: o ávido leão avança na nossa direção e entre o decidir fugir e enfrentar a criatura ainda não saímos do sítio – estamos a pensar nas nossas pernas que não mexem, na voz que não sai, a fazer o flashback da nossa vida e a pensar em tudo que devíamos ter feito e ainda não fizemos.

No momento em que o leão se prepara para fazer de cada um de nós a refeição do dia, eis que algo acontece…

…os nossos olhares cruzaram-se, olhos nos olhos. É esse o momento em que o leão hesita e é nesse momento que assumimos o controlo da entrevista, do pitch, da performance da comunicação.

Sugestão número 1: a audiência (o público do circo romano…) quer ser reconhecido, quer que a olhemos nos olhos e a enfrentemos. Não importa o grau de fragilidade, a quantidade de nervosismo – quem está do outro lado sentirá a nossa presença com um simples olhar frontal e sincero. Esse é o instante em que assumimos o controlo e em que a postura se torna mais vertical. (todas as tarefas de segunda-feira querem a nossa atenção…e da primeira passamos à segunda). Como é que isto se faz? Mais simples do que parece, antes de iniciarmos a nossa performance é relevante tirar alguns segundos para encarar a nossa audiência – olhos nos olhos (sem exageros). Se for num auditório é útil uma breve trocar de olhares com pessoas em diferentes pontos da sala, para garantir uma total amplitude.

Muito bem, dizem vocês, o leão hesitou mas continua lá e o público também. Ainda temos 2, 5, 10, 15 minutos de performance pela frente. Pois,  mas não é preciso ler o Tony Robbins ou um manual qualquer de boas práticas para saber que respirar é essencial à vida e que nenhum problema se resolveu por estarmos a pensar em nós – “show must go on”.

Em momentos de tensão perante uma audiência tendemos a desenvolver uma enorme consciência corporal e essa atenção tira-nos a concentração e presença – esquecemos a mensagem e quem está do outro lado. Imaginem o que seria estar a falar com alguém com um espelho à nossa frente – o efeito é exatamente o mesmo. Uma performance de comunicação não é sobre nós, é sobre a nossa verdade, a nossa mensagem e (a relevância para) a nossa audiência.

Sugestão número 2: depois de encarar a audiência e porque o leão hesitou temos finalmente tempo para respirar e descontrair o corpo, antes de avançar. Conseguimos finalmente obter a atenção de todos, merecemos o respeito da audiência – agora sim é o momento de avançar. Agora tudo aquilo que dissermos vai ter outra importância. Porém,

Outro aspeto importante sobre as segundas-feiras, é que toda as pessoas têm uma. Todos nós sabemos o que significa chegar a segunda-feira e entrar novamente na montanha-russa. Todos nós gostamos de uma história com a qual nos identificar, e na verdade, na arena, grande parte do público vai admirar a nossa capacidade de enfrentar o leão, de o encarar de frente, e quanto mais se identificarem mais irão apoiar (e por isso saber a nossa história, a nossa causa, conhecer a nossa paixão é primordial).

Naquele momento na arena somos 1 mais 50 mil a assustar o leão e a querer chegar ao final da semana e ter a merecida sexta-feira com o sentimento de conquista. Bem, para mim essa sensação chegará só no domingo, pois decidi enfrentar o leão e dar início ao meu primeiro workshop de comunicação.

Sugestão número 3: a audiência gosta sempre de uma história autêntica, recheada de emoção e de traços com as quais se possa identificar. Somos humanos. Essa energia que se cria, essa ligação é capaz de criar um grau de sintonia tal que as nossas fragilidades passam para segundo plano. O todo será seguramente maior que a soma das partes. Como qualquer segunda-feira que chega ao fim, se a entrega for autêntica e dermos o melhor, ganhamos o direito a mais um dia frente ao leão e o público vai certamente aplaudir.

A comunicação é como qualquer segunda-feira, tende a melhorar com a prática e com a nossa vontade de ir mais longe.

Se há algo de que estou certo é: se comunicarmos com maior competência temos uma maior probabilidade de ter segundas-feiras melhores.