O homem sonha e a obra até nasce…

Qual a tua visão ? Pode uma simples pergunta ser assim tão importante? Acredito que muitos de nós procuramos um propósito naquilo que fazemos ou naquilo que sonhamos fazer. Então, porque parece tão difícil estabelecer uma orientação, um caminho que permita de forma clarividente permitir ter a confiança, a competência para alcançar a almejada meta? Diria que ela se vai manifestando ao longo do caminho, se a ele estivermos atentos, se ao “caminho” ousarmos ouvir e falar com ele.

O homem sonha, a obra até nasce, mas não imediatamente.

A obra nasce fruto de trabalho de inspiração, de expiração de muita desorientação, de muita descoberta e também, felizmente, de muito prazer. Recuso acreditar que o sucesso só pode manifestar-se através de trabalho árduo, daquele que para além de fazer doer as mãos, faz doer a alma e faz sofrer a mente. A este nível, talvez seja das pessoas que acredita na felicidade, na satisfação pelo processos, que são as nossas paixões, aquilo que nos faz sentir motivados, inspirados, apaixonados e agarrados à vida que nos dá o ímpeto para seguir em frente, face à dificuldade, ao mesmo tempo que somos capazes de o fazer de sorriso no rosto.

Hoje, tenho uma noção mais clara que vive em mim a vontade, a visão de tornar a comunicação mais humana, à qual damos mais atenção porque é ingrediente fundamental para uma vida pessoal e profissional melhor, mais viva, mais inteligente, mais sagaz e mais feliz.

Esse desígnio ou propósito dá sentido às coisas que faço, dá-lhe uma prioridade, uma direção. Afinal o mindset, dá confiança e faz-me ver melhor a enorme montanha que tenho a minha frente, mesmo que saiba que provavelmente é em mim (como em todas as outras pessoas) que residem os maiores obstáculos e distrações.

“Somos todos humanos” (esta frase é tão boa que desculpa quase tudo).

Tudo isto para vos dizer o quê? Foi através de experiências que cheguei aqui. A minha viagem pelo mundo, clubes e competições de public speaking ensinou-me muito, sobre comunicação, mas em particular sobre mim. No início sentia (e ainda sinto) sempre que crio ou improviso a chama da comunicação, a paixão e o gosto que me dá. 

Sinto também de forma muito única o prazer de agradar a plateia (demorei mais de trinta anos a deixar de ter vergonha de sentir isto). Gosto de sentir a audiência de olhos abertos, atenta, regalada. Seja num discurso, numa formação, numa aula. Gosto desta interação. Sem vergonha, sem medos. Porém, em algumas performances que para mim eram profundamente extasiantes, entusiasmantes, comecei a perceber que para algumas pessoas eu seria uma “espécie de alien” entusiasmado, vivo, mas talvez um pouco enérgico ou bruto até.

Esta pouca empatia criada talvez junto de algumas pessoas mais sensíveis, mais ansiosas face à prática de comunicar em público, despertou-me o interesse. Porquê? Assim, perguntei a mim mesmo, porque é que algumas pessoas sentiam quase um certo “medo” de falar comigo ou de dar-me algum feedback. Sim, acontecia e vai quase sempre acontecer.

“Lembrem-se que não somos pizza para agradar a toda a gente”

O motivo parece-me até muito simples. Em primeiro lugar, eu fazia discursos, treinava e praticava por mim, pelo minha vontade de aprender, pelo meu prazer, pelo meu Ego que queria muito mostrar o tanto que estava a evoluir. A eterna procura por um reconhecimento. Algo não estava afinado, polido.

Nesse percurso pelos clubes de Toastmasters onde se aprende muito, em especial com as pessoas que se encontram, são muito valorizados aspetos relevantes de um discurso como a sua organização, a variedade vocal, a linguagem corporal e a forma como exploramos o espaço à nossa disposição. Qualquer pessoa, independentemente do nível evolui muito em 3, 6 meses…(Eu andei por lá 6 anos, e bem. Quando a pandemia passar logo vejo…) .

Um dia, pediram-me para participar num evento, e partilhar a minha experiência em competições internacionais de public speaking. Em vez de me preocupar com a linguagem corporal, a variedade vocal…apenas pedi uma cadeira!?

Em palco para talvez 60 ou 70 pessoas, falei para as pessoas sentado, como se estivesse à mesa a partilhar uma conversa e um copo de vinho. Falei da fragilidade, falei de que ainda hoje fico nervoso e ansioso, que tenho inseguranças e que dia a dia as enfrento, sublinhei que sou humano e que foi o treino, a vontade, a paixão e a procura por um desígnio que me levaram até ali. Foi simples, foi humano, foi tão fácil e tão bom. Foi eterno.

Nesse dia, aquelas pessoas que em outras circunstância se afastariam de mim, falaram comigo e partilharam, falaram da sua ansiedade, do nervosismo e da imensa vontade de melhorar.

Ali, naquele momento, sinto que acrescentei uma das mais importantes peças do caminho – é essa a comunicação que quero, aquela que me aproxima de outros seres humanos.

A minha visão, tal como a vossa, constrói-se diariamente e felizmente, por obra do acaso também podemos alterar o rumo e mudar de ideias. Olhem o horizonte, definam para onde vão, tenham uma direção, assumam a vossa vontade e tenham prazer pelo caminho. Com uma visão, a comunicação nunca será um senão.